25.07.2026

A misteriosa 10ª ilha do Arquipélago

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Todos nós sabemos (ou passamos a saber) que o Arquipélago dos Açores tem 9 ilhas, das quais a mais bonita é São Miguel e que a Kima é melhor que a Brisa. Mas quando fizer amizade com um micaelense, ele pode vir a revelar-lhe um segredo: há uma 10ª ilha no arquipélago.
É uma história que gostamos de partilhar com quem nos visita para mostrar que, no fundo, é o Atlântico quem manda na nossa casa.

Tudo aconteceu no verão de 1811. Ao largo da Ponta da Ferraria, o mar começou a ferver e uma violenta erupção vulcânica fez nascer, onde antes só havia um imenso azul, um novo pedaço de terra. Por coincidência, o navio britânico HMS Sabrina passava por perto e o seu capitão, James Tillard, não perdeu tempo: atracou, cravou a bandeira britânica nas cinzas e reclamou a nova “Ilha Sabrina” como propriedade do seu rei.

A notícia chegou a terra e instalou-se logo uma pequena crise diplomática entre Portugal e Inglaterra por causa de um pedaço de rocha perdido no meio do oceano. Mas a nossa natureza açoriana tem um sentido de humor muito próprio. Enquanto os diplomatas discutiam, o mar tratou do assunto. Como era feita apenas de cinzas vulcânicas soltas e pedra-pomes, a Ilha Sabrina foi engolida e lavada pelas ondas em poucos meses.

Da imponente bandeira britânica e da nossa tal 10ª ilha, sobrou apenas a espuma do mar e uma bela anedota para contar.

Hoje, brincamos que foi só uma miragem.

Mas a verdade é que o conceito de uma décima ilha ficou bem vivo entre nós, ganhando um significado muito mais profundo.

Créditos: Eric Sviratchev (2026)

Dizemos sempre que a nossa 10ª ilha não é feita de rocha, mas de quem lhe dá vida. No dia em que a viagem terminar e for para casa com o sabor do nosso sal na pele, vai reparar numa coisa curiosa: os Açores deixaram de ser umas coordenadas num mapa. Será uma nova casa, mais longe, no meio das paisagens verdes que não acabam, do ar fresco e de um mar que se estende até perdermos a vista. 

Um sítio que espera pacientemente por todos os que cá nasceram e foram para longe  e por todos os que aceitam o desafio de ser ilhéu por uns tempos.