
17.09.2026
Um refúgio à beira da lagoa: A Capela de Nossa Senhora das Vitórias
O Vale das Furnas é conhecido por ser um dos locais geotérmicos mais ativos e vibrantes de São Miguel, com as suas fumarolas e águas borbulhantes que nascem da energia da terra.

Mas basta contornar a margem sul da imensa Lagoa das Furnas para encontrar um cenário completamente diferente, pautado pelo silêncio, pelo verde denso e pela quietude.
É aqui, enquadrada de forma quase cénica pela vegetação e a refletir-se nas águas da lagoa, que encontramos a Capela de Nossa Senhora das Vitórias.
Ao longe, o edifício capta logo a atenção por ser uma raridade arquitectónica na ilha, no arquipélago e no país: uma ermida de estilo neogótico, desenhada pelo arquiteto francês André Breton, construída com um surpreendente tijolo rosado.
O edifício não foi erguido ao acaso. Foi encomendado no final do século XIX por José do Canto, um ilustre botânico e intelectual, como cumprimento de uma promessa pela recuperação da sua esposa na sequência de uma doença grave.
Longe de ser apenas um marco religioso, a capela é, no fundo, uma declaração de amor integrada na paisagem. José do Canto rodeou-a de uma mata-jardim extensa, plantando espécies botânicas raras e outras espécies que agora abraçam este templo.

Porque devemos incluir a Capela de Nossa Senhora das Vitórias no teu itinerário?
Num dia de passeio pelas Furnas, é natural que o famoso cozido, as poças de lama fervente ou os banhos termais ocupem a prioridade do roteiro. São atividades incontornáveis e de paragem obrigatória. Contudo, visitar a Capela das Vitórias e a Mata-Jardim adjacente oferece o contraponto ideal a estas experiências que nascem da atividade vulcânica.
Este lado da lagoa é o refúgio perfeito para abrandar.
O passeio pedestre em redor da capela é plano, fácil e acessível a qualquer idade, rodeado de árvores e convida a um piquenique, de toalha estendida no chão, acompanhado de algumas delícias micaelenses como um bolo lêvedo ou umas queijadas para elevar a experiência.
É também o local ideal para quem gosta de fotografia, os grandes vitrais ogivais da capela contrastam com a mata e com a água, ou simplesmente para quem quer fazer uma caminhada lenta num cenário que parece saído de um romance do século XIX.
É uma forma simples, mas muito marcante, de equilibrar o vosso dia e sentir um lado mais misterioso e monumental das Furnas.